Textos




Maria Vitória Afonso / Fernando Reis Costa/ Maria Petronilho/ Arlete Piedade


Eu vou cantar as Janeiras
À rua da Casa Branca
Não me dão nem farinheiras
E ainda levo com a tranca.

Por ter tão boas maneiras
Venha aqui cantar então:
Se não houver farinheiras
Arranja-se um salpicão!


ouvi cantar as janeiras
na minha rua das flores
com a barriga a dar horas
longe de vós meus amores


aqui eu não sei cantar
mas fome, tenho também
mandem lá esse manjar
para a amiga de Santarém!


Uma boa alentejana
Mantém sempre a tradição
Em dia de Reis, ufana,
Canta a grande devoção


Mas veja se não se engana
A cantar essa canção
Se não vai cedo p’rá cama
E sem migalha de pão!


vêm os magos chegando
ora sentai-vos à mesa
bolo-rei, vinho do porto
consoada portuguesa


Eu não sou alentejana
mas ofereço um bom vinho
da lezíria ribatejana
com afecto e com carinho!


Ó patrãozinho da casa
Não queira ser tão forreta
Com um certo golpe de asa
Dê-me lá sua gorgeta


O patrão manda dizer
- se a senhora faz chacota -
A gorjeta que vai ter
É pimentinha na boca!


sendo os convivas poetas
não havia de faltar
uma sopinha de letras
e trovas a acompanhar


no tempo em que vivemos
e neste país de miséria
ter sopinha e salpicão
já é uma coisa séria!


Pode ser um salpicão
Ou um poema inspirado
Vá lá, abra o coração
A quem lhe é dedicado.


Por cantar esta canção
Aqui tem, com muito agrado,
(em vez do tal salpicão)
Este poema rimado!


rimo mesmo em janeiro
antevendo a primavera
em que o sol aqueça o mundo
e se faça paz na terra!


rimando com todas as letras
aqui vai este poema
que eu cá não sou de tretas
quando os reis magos são tema.


estas mal traçadas linhas
que me atrevo a desenhar
levam-vos o meu carinho
votos de um ano sem par!







Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 06/01/2008
Alterado em 06/01/2008
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