Textos



Depois do calor houve um tempo em que o sol, viajando no seu reino, se foi dia a dia despedindo…
Começou a ficar mais pequenino e os anjos cor de fogo do Outono, devagar, foram poisando.
Caíam do céu tranquilo, muito devagarinho, um a um ou em pequenos grupos de amigos.
Espalhavam-se pertinho, atapetando o caminho com grande beleza e ternura.
Ali se mantiveram muito tempo, até ficarem cansados, engelhados…
Aos poucos iam ficando mais escuros, na mãe terra se imbuindo para prepararem a vinda de novas árvores e flores, pois tinham essa missão.
Um dia chegaram anjos de cinza vestidos, de pesadas roupagens, mal se mantendo, iam-se desfazendo, em gotas se dispersando, primeiro poucos, depois tantos que já não se poderiam contar quantos deles percorriam o céu.
Em gotas pesadas e cristalinas, suas vestes se rompiam.
Os meninos que brincavam nos pátios depressa se recolheram, molhados, mas sorrindo pois tinham muitas saudades do Inverno.
As mulheres e os homens que iam para o trabalho abrigavam-se em guarda chuvas coloridos. Tropeçavam nos que levavam os vizinhos
- Desculpe, iam dizendo.
E assim todos ficaram mais próximos e amigos.
O sol, cada vez mais pequenino, quase se despedindo, deixava que o vento trouxesse, em seu lugar, o frio.
As pessoas precisavam de calor, por isso acomodavam-se dentro das suas casas, conversavam umas, outras liam e todas cozinhavam sopas deliciosas, assados tenros, pudins e muitos bolinhos.
Reuniam-se à volta da mesa, tomavam chá, chocolate, leite e café, que lhes davam uma inigualável sensação de conforto.
Pouco a pouco se tornaram mais amigos dos vizinhos.
As crianças sentiam muita curiosidade pelo que estaria nos livros: Era o tempo de irem à escola, aprender como uma letra a outra letra se ligava, contando mil histórias, adivinhas e poemas…Assim se passou o Inverno!
Devagar, devagarinho, o sol ia ficando mais um pouco e o seu sorriso era dia a dia mais aceso.
As sementes, que esperavam este tempo, sentiram-se quentinhas, abriram-se e delas foram surgindo pequenos rebentos verdes, que iam crescendo.
As folhas das árvores, revigoradas pelo aconchego das suas irmãs no Outono, os gomos foram abrindo, as florinhas aparecendo…Toda a alegria dos campos, das avenidas e parques às pessoas transmitindo.
 De novo vinham os anjos coloridos de verde, amarelo, cor-de-rosa e branco, estendiam os seus braços lançando pétalas sobre as crianças que brincavam, sobre as mães e os pais que trabalhavam, agora com maior alegria.
O arco-íris abraçou o mundo inteiro, nos doze meses do ano!

 
Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 23/09/2017
Alterado em 12/10/2017
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