Textos



Ela subia, a corta mato, uma alta montanha, completamente sozinha, do 1º ao último dia.
No inverno gelava, tinha muitas frieiras. As mãos ficavam entorpecidas.....mas nem pensar em chegá-las perto do fogo, era uma dor insuportável.
As pernas estavam cheias de bolhas, que rebentavam, por se chegar muito à lareira....na casa da sua avó, de triste memória.
A escola não tinha aquecimento, nem água, nem luz, nem casas de banho.
No inverno, ao subir a montanha coberta de musgo congelado, por cada passo em frente, agarrada aos "codeços", pequenos arbustos cheios de espinhos, escorregava outro para trás.
As professoras, que odiavam estar ali (como ela), vingavam-se a dar réguadas nas mãos das crianças.
Passavam os intervalos tentando aquecer as mãos sob os braços...porque uma reguada sobre mãos geladas era insuportável (que remédio, senão suportar, sem um ai, sem uma lágrima).
Muitas crianças iam descalças e quase nuas, sobre a neve.
...Pensar que ela apenas perdia tempo, pois já sabia ler e escrever, sentava-se numa classe qualquer.
Não tinha sequer nome, era "a orfã"... a única criança que tinha relógio de pulso!
Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 01/08/2016
Alterado em 10/08/2016
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