Textos



Venho faminta, em busca das tuas palavras....
Eu sei,eu sei quanto ocupada andas.

De repente, dás-te conta de que te contam os anos, como se o tempo contasse! Como se ele nos medisse a idade!

Que tolice!

És menina, se te encontras feliz, alegre e distraída....És velha se te encontras , sem sonhos, agonizando de tantas formas que há de dor (física... e a que mais dói, emocional)

Inventaram o tempo para intentarem afastar a anarquia em que vamos....ilusão!

Queria comemorar contigo a primeira vez que nos vimos, fez esta tarde anos....e te estendi os braços, lavada em lágrimas de alegria, de encanto, de espanto....de uma alegria que, imagino, será única para cada mãe.


A tua boquinha - botão de rosa - não sabia encontrar a fonte da vida que a natureza me deu, para te alimentar depois de nascida....e foi a nossa primeira obra em conjunto: por fim encontraste a fonte e sugaste sofregamente o leite, a vida!

Quero que assim continues, querida filha: bebendo sofregamente a vida, com a verdade nem sempre fácil, mas autêntica, para que a dor de viver valha a pena.
Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 06/03/2016
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