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Faz noite negra, mas eu canto: A canção dos jovens, a canção dos pobres, a canção de esperança da gente do meu país.
Faz noite negra.
A lua brilha tão pequena!
Pequenas são as estrelas ao seu redor... mas se toda essa luz se juntasse - que fulgor!
E luz é vida.
E para viver é preciso despertar.
A ao despertar esvai-se a noite.
Foi comido por si mesmo o negro pesadelo, o susto desanuviou-se.
Sumiu-se em nada à luz do dia.
Dia em que a luz brilhe a todos os olhos e em todos os sorrisos.
Dia de suspiros de alívio...
Esse o tal dia que espero.
Venha breve e venha prenhe de paz e de amor, como sol a pino.
Fujam daqui as manchas bolorentas do destino negro. Bolor nas horas de todos os dias, na angústia.
Começa-se e segue-se sofrendo sem que uma réstia de alvorada, de ternura ao menos, luza ao fim da jornada desigual da nossa vida.
Uns têm tudo; outros "têm" nada;
uns na soberba; outros na penúria;
uns os algozes; outros os servos;
uns arrotando e tantos outros mais de barriga vazia.
Acabem-se os lagos de pranto em que afogamos o silêncio da vida.
Acabe-se o cada-qual-consigo – nunca nada se conseguindo
... Enquanto se não entenda
que é NOSSA a mesmo causa, como é nossa a mesma injustiça

e que há que se lutar de mão-dada!
Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 09/05/2013
Alterado em 09/05/2013
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