Textos



Ninguém melhor que a nossa mãe para fazer a nossa biografia !
Então lá vai :
Chegava a primavera . Os flamboyans floridos enfeitavam as praças de nossa cidade . Araçatuba: "Terra dos Araçás , "Capital do Boi Gordo ". 14/09/58. Nascia ele , José Geraldo, das mãos habilidosas de Dr. Creso Machado Pinto. Alegria só no lar, pais professores :
José Martins Rodrigues e Mercilia Rodrigues .
Louro , olhos azuis, a alegria de ser gente manifestava-se no choro forte da criança nascida.
Cresceu conhecendo cada pedacinho da terra.
Cada pedacinho de chão .
Trocava gatos por pombos .
Pescava no "Machadinho".
Nadava no ribeirão .
Ouvia as histórias contadas , cantadas ,
Se deixassem as madrugadas.
Artes ? quantas !
Mas cresceu ...
Homem feito .
Faculdade fez .
Filhos dele e de outros,
porque também adotou.
Casado e descasado .
Amar, isto ele amou !
Teve muito a receber .
Mas também muito doou .
Se canta a melodia
De seu grande coração
É porque lá , algum dia
Alguém lhe estendeu a mão
Bem feito ,
Sem jeito ,
Alegre ,
Bonachão
Traça riscos ,
Arabescos
Com toda ternura .
É filho da terra .
É cheiro do chão .
Amor e candura
Tamanha leveza
Do seu coração

Mercilia Rodrigues



José Geraldo Martinez : músico/arranjador/produtor musical/compositor .
150 títulos gravados nos mais variados estilos : Sertanejo/ MPB/ Pop / Samba

martinez.ata@terra.com.br 

***

Minhas Escritas



QUAL FERA!
José Geraldo Martinez

Quero te ver gritar...
Sem pudores palavrões !
E de amor , também chorar ...
a mais quente das paixões !
Beijarei sua boca ,
sentir-te-ei , gemer ...
E como num último
golpe de misericórdia ...
sentir-te-ei tremer !
Tombarás em meus braços ...
de alma sangrada !
E teus olhos dir-me-ão tudo...
Que estás apaixonada .
Arrasto-te a todos os cantos ,
sem perdão , arrasto-te !
E como lava de um vulcão...
devasto-te !
Sou erupção em ti ,
passiva flor no chão ...
Que me olha com medo e tesão !
E qual fera, pressinto
o cheiro de tua alma
sangrando
faminto !
Minha língua em tua pele,
meus dentes cravar-te-ão .
Teu grito, o tenor abafa ...
Aumento o som !
Plácido não te escuta ...
A rua escuta Plácido !
O amor em nós...
Escutas ?



NUM ECLIPSE...
José Geraldo Martinez

Se eu soubesse que fosse amar-te tanto,
teria poupado esta busca louca...
Em tantas camas ter me deitado
e ter provado de tantas bocas!
Encontrei-te tão pertinho de mim...
Bastava cruzar a rua!
Sair na janela para olhar a lua.
Um dia foi assim!
Na mesma hora e dia,
quando um eclipse aconteceria,
nossos olhos se encontraram,
nossas almas se enamoraram...
A sombra da terra na lua
nos trouxe ao meio da rua!
Aproximou nossos corpos,
lado a lado...
Em paralelas o nosso sonhar!
Teus olhos nos meus,
a sombra dos meus lábios nos teus,
sacramentamos um beijo apaixonado
num eclipse lunar!





DEIXA-ME SONHAR
José Geraldo Martinez

Deixa -me viver
meus sonhos virtuais .
Serei o mais belo dos homens !
Mesmo que em mim abrigue
o mais triste dos mortais ...

Deixa-me viver
meus sonhos virtuais !
Terei fadas sem rosto ,
mulheres de todos os tipos !
Moças, velhas e donzelas ...
Viverei o amor infinito .

Deixa-me viver
meus sonhos virtuais...
Quero meu cavalo branco !
Com asas prá voar
a qualquer canto .

Deixa-me sonhar... sonhar ...
Serei o mais rico dos homens,
terei o poder nas mãos !
Comprarei pagando à vista
a mais cara ilusão !

Farei mulheres suspirarem.
Sobre o mar viajarei .
Construirei castelos de areia ...
dentro dele, serei rei .

Terei mulheres e letras ,
de um teclado qualquer ...
E de uma, serei puro sonho,
o maior dessa mulher !

Quero estrelas da noite,
quero banho de luar ...
Deixa, deixa-me sonhar !
Mesmo que em mim abrigue
o mais tristes dos mortais ...

Que do real, restou-me nada ...
Somente os sonhos virtuais !
Quero planetas distantes,
cometas passantes ...
O poder dos sonhos !

Ser tudo e nada
ao mesmo tempo...
Ser um fio na tomada,
um virtual sentimento .

Serei como a alma , imortal ,
enquanto virtual for !
Serei sempre chama a
queimar o desamor ...

Legião de solitários ,
vinde a mim !
Vendo sonhos sem erários
e sem fins !

Ninguém vai me ver chorar,
nem sentir a minha dor ...

Deixa-me sonhar... sonhar ...
Atrás de um computador



CÍRCULO VICIOSO !
José Geraldo Martinez

Ah, essa internet !
De quantas sonhos é portadora...
A nós, poetas , o básamo acalentador
de ilusões redentoras !
Quem nos lê senão nós mesmos?
Tantos versos que temos juntados ...
Quem abre nossas páginas ,
contamos no dedo ...
Senão alguns gatos pingados !
Lemos de nós os desejos ,
escrevemos a nós nossos sonhos...
Descrevemos a vontade de um
beijo e mostramos nosso avesso
tristonho !
Fazemos cirandas e centopéias ...
Brincamos entre nós , o que fazer?
Nesse universo representamos
nossos sonhos a fenecer !
No entanto , escrevemos
a nós mesmos !
Um ou outro nos dá resposta ...
Talvez por coincidência teria ele,
uma ilusão igual a nossa !
Círculo vicioso...
Pudera ! É gostoso
poetar a nós mesmos !
Escrever o amor que sonhamos.
O que perdemos e ganhamos !
Experiências vividas ...
Isso é bom , salutar
repensar a nossa vida !
Na esperança sempre que alguém
nos leia ,
nos acalente com um abraço e
aplauda nossa poesia ...
e assine nosso livro de visitas !
Que pena ! sempre os mesmos
das nossas listas.
Poetas amigos e conhecidos ...
Não posso reclamar ,
também assinei os seus livros !
Nem li os seus poemas ...
Que pena !
Só leio os meus ...
Nesse universo de internet é assim,
sou do círculo vicioso :
leio aquilo que escrevo ,
faço poesia pra mim mesmo !
Sonhos?
Muitos ao meu lado !
Algumas coincidências me têm
ajudado ...
Ah, se não fosse eu que me leio,
não fossem os meus gatos
pingados,
seria ignorado!



" Pode parecer polêmica essa poesia, mas não
é hipócrita !
É um erro que a grande maioria dos poetas
comete .
Raramente abrimos uma página , senão apenas
para assinar o livro de um amigo e muitas das
vezes , nem lemos os seus poemas .
Participamos de cirandas, centopéias e apenas
lemos o nosso poema , ignoramos o resto!
Assim , nos fechamos nesse círculo vicioso"

Martinez















Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 22/12/2006
Alterado em 22/12/2006
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